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Ele treinou seu discurso mais de três vezes desde que saiu de casa; o caminho inteiro. Achava que precisava das palavras certas para causar a impressão exata do que sentia. O mais difícil era fazer com que soasse natural, porque nada pior do que um discurso pronto sobre sentimentos.
Prometerá a si mesmo que não ia pedir que voltasse ou simplismente ficasse. Só queria falar o que precisava falar e era assim que começaria sua declaração “Eu só queria dizer que…” e daí se seguiria uma sequência de frases que fazem o “só” do começo da frase perder o significado.
Subiu as escadas e cada passo que dava, degrau que subia, seu coração batia mais forte. Ainda tinha a chave, mas antes de entrar, ficou parado na porta, com a mão na maçaneta esperando os dez segundos pra produção de coragem.
Girou. Abriu. Entrou.
E como se fosse um reflexo de uma imagem interior, ela não estava lá.