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Saber que eu ainda preciso dar uma volta enorme pra descobrir que o que eu sempre quis foi a primeira coisa que eu vi me assusta.
Ele treinou seu discurso mais de três vezes desde que saiu de casa; o caminho inteiro. Achava que precisava das palavras certas para causar a impressão exata do que sentia. O mais difícil era fazer com que soasse natural, porque nada pior do que um discurso pronto sobre sentimentos.
Prometerá a si mesmo que não ia pedir que voltasse ou simplismente ficasse. Só queria falar o que precisava falar e era assim que começaria sua declaração “Eu só queria dizer que…” e daí se seguiria uma sequência de frases que fazem o “só” do começo da frase perder o significado.
Subiu as escadas e cada passo que dava, degrau que subia, seu coração batia mais forte. Ainda tinha a chave, mas antes de entrar, ficou parado na porta, com a mão na maçaneta esperando os dez segundos pra produção de coragem.
Girou. Abriu. Entrou.
E como se fosse um reflexo de uma imagem interior, ela não estava lá.
Hoje eu só queria deitar e ver o sol se por. Sentir a ausência de obrigações, de preocupações.
Hoje eu só queria que os outros sentissem o que sinto e que pudessem assim como eu fechar os olhos e ver que, mesmo quando errado existe a paz.
Um abraço, um sorriso e palavras soltas é tudo o que eu quero pra hoje e para os recentes momentos que se seguem a partir de agora.
Algumas vezes o dia perde a cor, perde a graça. É como se tudo parasse, mas continuasse a passar. Quando é assim a única coisa que quero é não esquecer. Não esquecer que na verdade o dia tem cor e a graça existe sim; isso não pra lembrar nostalgicamente e me lamentar por não ser esse meu estado atual, mas sim pra esperar e ver chegar.
Dias assim passam. Vão para depois voltar. E depois ir.
Há quem diga que o oposto negativo faz o positivo ser mais forte. Há quem diga que os opostos existem para que haja equilíbrio. Alguém deve morrer para outro viver. Há quem diga que é a lei do Universo.
Mas hoje qualquer coisa que se diga ou faça é besteira porque hoje o dia perdeu a cor, perdeu a graça e até tudo voltar deixa ser do jeito que esta.
Eu minto, eu finjo. Eu funciono em ciclos, em estágios. Como os ponteiros de um relógio que não marcam o que é certo, mas sempre voltam ao mesmo lugar.
Contudo, é só preciso entender o funcionamento, os fundamentos e suas causas pra então reagir a mim ou me fazer reagir.
Mas entender é difícil demais. Não posso exigir isso de você já que nem eu tenho domínio.
Sou fiel ao meu estado melodramático natural.
Como diria um amigo meu, estou me sentindo inerte. Parada no tempo, no espaço e principalmente no sentir.
Normalmente eu falaria sobre confusão. Seria novamente sobre confusões causadas por ela e eles. Uma montanha de ladainhas e bla bla bla’s choramingados.
Acho que meu principal problema é pensar demais. Na verdade, o que causa o problema não é o pensamento e sim sua natureza melodramática.
Já disse que o melodrama é um dos personagens que eu quero abandonar. Para que seja possível dizer que estou tentando, vou ficar apenas com a sensação de inércia, adaptada em drama. Sem explicação, sem causas. Apenas o estar parada.